terça-feira, 22 de maio de 2018

A vocação portuária do litoral paranaense



Paraná precisa concretizar sua vocação portuária para atender aos padrões cada vez mais exigentes do setor

No caso do Pontal do Paraná, um município com 25 mil habitantes (IBGE, 2017) e 200 mil na temporada do verão, verifica-se um grande potencial logístico. Nesse sentido, o projeto da Faixa de Infraestrutura, iniciativa do Governo do Paraná, está inserido no planejamento de tornar a região do litoral paranaense uma zona portuária.
A Faixa de Infraestrutura chegará até a Ponta do Poço, onde está a zona portuária da região. No local, no momento, opera apenas Techint e é esperado o início da construção do Porto Pontal do Paraná (3P), que deverá ampliar em 55% a capacidade portuária do Paraná, além de outros empreendimentos portuários privados, tudo para desenvolver a vocação natural da cidade como zona portuária.
Para fins comparativos, o calado dos portos de Itajaí e Portonave é de 11,65 metros, enquanto o de Pontal Paraná é de 14 metros, para uma profundidade de 16 metros; ou seja, um diferencial competitivo de 235 cm. Num navio porta-contêiner, cada um centímetro de calado transporta mais 100 toneladas de carga, equivalente a oito contêineres de 12,5 toneladas cada.
Como cada contêiner gera em riqueza U$ 1 mil quando carrega ou descarrega, oito contêineres geram US$ 8 mil por navio. Assim, se houver 365 atracações de um navio por ano em um berço, teremos 365 x 8 mil = US$ 2,9 milhões. Dessa forma, a diferença de 235 cm equivale a US$ 681 milhões, somente para um berço. Se forem dois berços, o calado natural do Porto Pontal poderá gerar riqueza de US$ 1,36 bilhão, cerca de R$ 4,5 bilhões por ano.
A criação de uma zona portuária pode trazer incentivos para desenvolver o turismo terrestre e náutico
Atualmente, o município, que vive uma situação econômica difícil, de quase penúria, possui uma série de dificuldades de acesso porque tem somente a PR-412 como via principal, o que mistura diversos tipos de tráfego em um só local.
Aliado a isso, a criação de uma zona portuária pode trazer incentivos para desenvolver o turismo terrestre e náutico, como fazem as cidades portuárias catarinenses, especialmente Itajaí e Navegantes, que exploram sobremaneira a sua vocação portuária, ainda que com grandes limitações de calado e acessibilidade terrestre.
O desenvolvimento da atividade portuária em Pontal Paraná aumentará sobremaneira a arrecadação municipal, com a possível instalação de terminais portuários na região e a valorização do mercado imobiliário, além de gerar empregos, como ocorre em todas as cidades sede de terminais privados, como Itapoá (SC), que já movimenta mais de 580 mil TEUs por ano.
Obviamente que eventuais problemas ambientais podem ser resolvidos mediante a aprovação do projeto condicionado à adoção de medidas compensatórias e mitigatórias para diminuir os prejuízos causados pela construção e desenvolvimento da zona portuária. Além disso, a criação da Faixa de Infraestrutura poderá melhorar o zoneamento da cidade, estabelecendo, em conjunto com o Plano Diretor, as áreas que seriam de preservação e quais poderiam ser ocupadas. Assim, é perfeitamente possível que a atividade portuária não prejudique o turismo da região.
O porto do século XXI será um porto-cidade, ou seja, um porto cuja identidade estará intimamente ligada ao seu ambiente geográfico e socioeconômico. A identificação do meio ambiente com a atividade portuária é hoje uma realidade nos países com portos mais evoluídos.
O mais novo terminal portuário privado do Brasil pretende trazer uma série de benefícios para todo o litoral do Paraná e contribuir para que a vocação portuária da região se concretize através do desenvolvimento social e econômico, com geração de mais de 1,5 mil empregos diretos.
Osvaldo Agripino de Castro Júnior é advogado, especializado em Comércio Exterior, Direito Marítimo e Portuário, bacharel em Ciências Náuticas, doutor em Direito com pós-doutorado em Regulação de Transportes e Portos pela Universidade Harvard e professor do mestrado e doutorado em Ciência Jurídica da Universidade do Vale do Itajaí e do mestrado em Engenharia de Transportes e Gestão Territorial da UFSC.

sábado, 28 de abril de 2018

Parabéns Guaratuba!


Lendária e risonha Guaratuba, Parabéns!
247 anos de uma história linda, construída por cada um de nós. 
Tá em Guaratuba,Tá na Litorânea!

Família Litorânea deseja um Feliz Aniversário! 




Direção  Thais Salvi
Redação: Cleomar Diesel
Locução: Joelcio Andrede
Imagens e Edição do vídeo: Emerson Sites

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Guaratuba linda




Guaratuba cresceu muito nos últimos anos e alguns números surpreendem, no último verão houve dois momentos que superaram as mais otimistas previsões, o réveillon e o carnaval que estão agora, definitivamente consagrados como os melhores do sul do pais.

Além do turismo, temos outras atividades econômicas de destaque. Entre elas:
Industria da pesca do camarão muitas toneladas deste produto são comercializados.



 Guaratuba é o maior produtor de bananas do Paraná  



e o  Pescado também representa uma bela fatia  gerando emprego e renda .
Somos uma cidade consolidada, que tem capacidade de abrigar na alta temporada até um milhão de habitantes .





É impossível não sentir orgulho de nossa cidade, de suas belezas, histórias incomparáveis e localização geográfica privilegiada.
Parabéns Guaratuba   seu povo pode olhar para o passado com orgulho e para o futuro com confiança e a certeza de que estamos construindo uma cidade melhor para todos.

Radio Litorânea  91.5
Tá em Guaratuba está na litorãnea

Cleomar Diesel

Guaratuba tem 22 quilômetros de praias todos com características próprias para os mais variados gostos




Guaratuba é, acima de tudo, um lugar de gente de bem, acolhedora, e hospitaleiro . .Do Morro do Cristo a visão é privilegiada, daqui o morador e os milhares de turistas podem ter uma visão da grandiosidade de nossas praias     

As praias de Guaratuba são, as mais badaladas do litoral paranaense. Com muitas opções de pousadas, restaurantes, o que torna Guaratuba destaque no litoral do Paraná

Guaratuba tem 22 quilômetros de praias todos com características próprias para os mais variados gostos. Praia central muito procurada devido a tranquilidade e a pouca profundidade de suas águas; Brejatuba é apropriada para a prática de esportes aquáticos e segue até o balneário Coroados;

 Caieiras, local calmo e agradável com aproximadamente 1000 metros de extensão.

Prainha, própria para descanso e a pratica de pesca de arremesso;

Barra do Saí, um dos mais lindos recantos da natureza, que faz limite com Santa Catarina.


Guaratuba Turismo de aventuras e gastronomia ;aqui vivemos de forma sustentável.



Atender bem o turista também é uma forma de amar a cidade. 
A Gastronomia litorânea é nosso forte... quem não ouviu falar das nossas ostras!!!!!!
O paraíso das ostras existe e, para a nossa sorte é logo ali, depois da baia !!!!



As ostras de Cabaraquara possuem o título de melhor ostra do país e uma das três melhores do mundo. Especialistas do Japão afirmaram que a ostra nativa da Baía de Guaratuba, é a melhor do país e uma das 3 mais saborosas do mundo
.




Outro patrimônio de Guaratuba ainda pouco explorado é o potencial  para o turismo ecológico ambiental...Uma tendência que não para de crescer em todo mundo e Guaratuba tem um patrimônio imensurável nesta área.
Salto Parati
Montanhas, rios, saltos trilhas, ilhas, mangues, tudo acessível e guardado pela beleza maior, que é a baia de Guaratuba.
travessia cubatão
 Com todo este potencial é inevitável, que Guaratuba tem uma invejável vocação para o turismo que pode crescer ainda muito mais. 
 Parque Saint Hilaire


Somos uma cidade consolidada, que tem capacidade de abrigar na alta temporada até 1 milhão de habitantes .

 Apesar deste crescimento o município não se descuida do  compromisso social e ambiental.
Guaratuba se destaca dos demais municípios pelo seu compromisso ambiental,a área urbana é dotada de saneamento básico, comparada aos países de primeiro mundo, além disso 96% do território do município continua com seus recursos naturais preservados.

Montanhas


Aqui vivemos de forma sustentável.

Guaratuba está de Aniversário





Em 29 de abril de 2018, completa 247 anos de muita história e conquistas. Uma das grandes virtudes do Guaratubanos é o carinho com tratam o legado deixado pelas gerações do passado.



E entrada da baia de Guaratuba, a visão que nós temos hoje daqui é praticamente a mesma que tiveram os primeiros colonizadores. Imaginem o encanto que tiveram ao se depararem, com esta exuberante beleza cênica.
 Turismo religioso   é muito movimentado. 
Um dos monumentos históricos deixados por nossos colonizadores à igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso. A Igreja centenária marca o local onde se iniciou a colonização da cidade. A capela com a imagem da padroeira da cidade foi erguida em arquitetura colonial e é hoje tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná.


Onde a centenas de anos, ocorre a Tradicional festa do Divino com feira de alimentos, produtos variados e artesanato local, além de missas, novenas e celebrações religiosas. O evento trazido pelos colonizadores, reúne milhares de fiéis, é previamente anunciada pelas Bandeiras do Divino Espírito Santo (vermelha), e da Santíssima Trindade (branca).


A Gruta da Santa ; lugar também  conhecido como largo de Nossa Senhora de Lourdes
 A fonte natural de água é um dos atrativos turísticos do município, recebendo visitantes de todo o país e do exterior durante todo ano.


Outro patrimônio histórico preservado e este casarão centenário, onde se respira história. Guardam-se aqui, lembranças das gerações do passado que nos deixaram este grande legado. Este prédio além de histórico, abriga um acervo de nossos antepassados, fotos e objetos que nos remetem a outros tempos. E hoje é ocupada pela Secretaria de Turismo.


Guaratuba um passado de glórias  um presente de desafios, projeta um futuro promissor.


domingo, 15 de abril de 2018

Mallarmé no ABC: a título de epitáfio

    
     por Flávio Gordon na Gazeta do Povo


Nos velhos tempos da URSS, os membros dos partidos comunistas ao redor do planeta praticavam uma espécie de culto ao proletário, não raro acompanhado por um correlato desprezo à intelligentsia. Nesse sentido, os intelectuais do partido, provenientes da classe média burguesa, entregavam-se alegremente a rituais periódicos de auto-humilhação perante a classe trabalhadora, numa tentativa canhestra de expiar sua culpa de classe (substituta, na consciência revolucionária, da culpa judaico-cristã). “A desgraça do burguês não é só estar dividido por dentro. É oferecer uma metade de si mesmo à crítica da outra metade”, escreveu François Furet (1927-1997) em O Passado de Uma Ilusão.
O escritor húngaro Arthur Koestler (1905-1983) descreve esse fenômeno ao lembrar de seu passado como militante do Partido Comunista da Alemanha. Naquele ambiente, diz ele, os intelectuais eram tolerados. Não faziam parte do movimento por direito, mas por necessidade. Como postulara Lenin, a Rússia carecia da expertise dos membros da intelectualidade pré-revolucionária. Mas o líder bolchevique não lhes atribuía qualquer valor intrínseco. Eram-lhe úteis como agentes de propaganda apenas, e só enquanto seguissem fielmente a cartilha do partido.
Em contraposição à ralé intelectual, a mitologia soviética colocava o proletariado no topo da hierarquia. O proletário ideal – consagrado na iconografia com ombros largos, imensos pés e mãos, olhar sereno e largo sorriso – era o trabalhador do chão de fábrica, a exemplo dos metalúrgicos de Putilov ou os petroleiros de Baku. Cientes de que jamais seriam proletários legítimos, os intelectuais de classe média esforçavam-se por imitá-los, pondo nisso tanto empenho que alguns chegavam a enegrecer artificialmente as unhas, numa simulação de marcas de fuligem. Nada podia ser dito ou escrito que não fosse imediatamente compreendido pelo trabalhador da fábrica. Nas palavras de Koestler:
“Abandonávamos nossa bagagem intelectual qual passageiros de um navio tomado pelo pânico, até que fosse reduzida ao mínimo estritamente necessário de frases feitas, clichês dialéticos e citações marxistas (…) Ansiávamos por nos tornar simplórios e obtusos. A autocastração intelectual era um pequeno preço a pagar pela obtenção de alguma semelhança com o camarada Ivan Ivanovich [o proletário-modelo]”.
As assembleias do partido costumavam começar com uma palestra sobre eventos políticos correntes, proferida por alguém do alto escalão, que estabelecia a “linha partidária”. Seguia-se então uma discussão, que, na novilíngua comunista, significava a repetição, em variados estilos e fraseologia, da linha partidária definida de antemão. Um proletário qualquer tinha sempre a última palavra, repetindo a seu modo, e em tom arrogante, a orientação oficial. Relata Koestler: “Escutávamos-no em silêncio solene, num murmurar de aprovação, e o líder partidário, encerrando os trabalhos, dizia ter sido o camarada X quem formulara o problema nos termos mais adequados e concretos”.
No Brasil da chamada redemocratização, um tipo parecido de pusilanimidade existencial demonstrou a classe falante brasileira de esquerda para com o então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva, atitude que, por incrível que pareça, sobrevive em parte considerável da imprensa, da academia e do meio artístico. Mesmo aqueles que não o consideram vítima de perseguição política esforçam-se ao máximo por preservar uma imagem grandiosa e superdimensionada do detento, que por tantos anos foi o símbolo aglutinador da esquerda nacional.
“Hoje é um dia triste para o Brasil” foi uma frase repetida a cada meia hora por jornalistas românticos de esquerda, enquanto, do lado de fora dos estúdios e redações, a maioria do país explodia em fogos de artifício e loas ao juiz Sergio Moro, o homem que pôs na cadeia um dos criminosos mais poderosos do país. Lamentando o fim do mito que eles mesmos criaram, esses formadores de opinião aferram-se às ilusões políticas de juventude como a um poste em meio à enchente. Para eles, era como se o velho sonho do marxismo inzoneiro tivesse acabado, dando início a um embaraçoso e traumatizante período de vigília.
Em artigo para O Globo intitulado “Um herói do povo”, o cineasta Cacá Diegues condensou o sentimento dos intelectuais de sua geração em face do político preso (algo muito distinto de um preso político, como os que há em Cuba e na Venezuela). “Lula foi um sonho que todo brasileiro acalentou um dia”, escreve Diegues, para quem, ademais, o corrupto condenado é um “gênio político” com um “projeto lindo”.
O cineasta confessa ter se decepcionado um pouco com o seu outrora “herói na luta contra a ditadura, na organização dos operários em São Paulo, na criação de um novo partido popular, reformista e ético”, por haver se deixado seduzir pelo poder e pela riqueza – essas “vantagens classistas” –, tornando-se, assim, um “político burguês” qualquer. Apesar de tudo, Diegues não o considera um bandido, e não o queria preso. A lei é igual para todos, concede, mas seria o seu herói igual a Sérgio Cabral, Eduardo Cunha ou Geddel Vieira Lima? “Sinceramente, não acredito nisso.”
Cacá Diegues está certo, evidentemente. Seu herói não é igual a Cabral, Cunha e Geddel. É muito pior, uma vez que o esquema de corrupção por ele montado transcendeu as fronteiras nacionais, sempre visando à construção de uma ditadura conduzida por ele e seus companheiros. Quem não lembra de quando, por exemplo, em visita a Cuba no ano de 2010, o ora encarcerado tratou com desprezo e escárnio os presos políticos do regime de seu aliado e amigo Fidel Castro, que protestavam mediante greve de fome? Ao contrário do que vem fazendo nos últimos anos, desde que a Lava Jato se pôs a lhe morder os calcanhares, à época ele pediu respeito às decisões do sistema de Justiça da ditadura castrista. E saiu-se com esta infame declaração: “Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de deter as pessoas em função da legislação de Cuba. A greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade” (grifos meus).
Ironia do destino: o homem que zombou dos presos políticos cubanos, tratando-os como bandidos, hoje é um bandido tentando fazer-se passar por preso político. Mas, ao contrário do que supõe o sentimentalismo piegas da classe falante nacional, aquilo que o detento é hoje sempre esteve em potência no fundo de sua alma tirânica e corrompida, tão perversa a ponto de se autoproclamar a mais honesta do país.
As cenas degradantes a que todos assistimos nos últimos dias 6 e 7 de abril, e que tiveram o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC por cenário, não representam o triste e inesperado fim de uma biografia nobre, mas o corolário inevitável de uma vida de iniquidades. “Tel qu’en Lui-même enfin l’éternité le change” (“E a eternidade, enfim, transforma-o no que sempre foi”), diz o célebre epitáfio que Mallarmé dedicou a Edgar Allan Poe. Poderíamos parafraseá-lo para o caso do mentor do petrolão: Tel qu’en Lui-même enfin la captivité le change (E a prisão, enfim, transforma-o no que sempre foi).